Introdução: A ilusão do mercado saturado e o medo que ninguém te preparou para sentir
Vou começar este texto com algo pessoal, porque sei que talvez você também já tenha sentido isso.
Quando eu comecei a observar o aumento expressivo de psicanalistas no mercado — cursos, formações, grupos, influencers, clínicas, supervisores — confesso que, por um instante, tive a mesma sensação que tantas psicólogas recém-formadas me relatam todos os dias:
“Será que a psicologia está perdendo espaço? Será que a minha formação ainda tem valor? Será que escolhi a área certa em um mundo com tantas novas abordagens?”
Seja sincera: em algum momento essa dúvida também bateu em você. Talvez na graduação, talvez agora, já formada, olhando para o Instagram e vendo novos perfis de psicanálise surgindo diariamente.
É normal sentir isso. É humano. E, principalmente, não tem nada a ver com falta de capacidade sua.
Mas existe algo fundamental que pouca gente fala — e que você precisa ouvir com calma, respirar fundo, e deixar entrar:
O crescimento da psicanálise não diminui o espaço da psicologia. Pelo contrário: ele comprova o quanto o campo da saúde mental está em expansão.
Essa sensação de “encher demais o mercado” é uma ilusão produzida pela forma como consumimos informação hoje, e não pela realidade.
Por exemplo, ao comparar psicólogos, psicanalistas e outros interventores, encontramos diferenças claras de formação e atuação.
Ainda, há relatos de que na psiquiatria a influência da psicanálise foi fortemente dominante e depois sofreu transformações.
Isso mostra que o campo da saúde mental está em constante evolução — e as psicólogas podem se beneficiar enormemente ao entender essa dinâmica em seu favor.
Portanto: ao invés de ver “a psicanálise crescendo” como sinônimo de “menos espaço para mim”, veja como sinal de maior demanda, maior abertura à saúde mental e maior conscientização pública.
Quero que você imagine esta cena com carinho: você, recém-formada, sentada à mesa com um café morno, rolando o Instagram cheio de perfis de psicanalistas, terapeutas alternativos, consteladores, coaches emocionais… e, de repente, surge aquela pergunta que começa como um sussurro:
“Será que ainda existe espaço para mim?” Eu sei exatamente como esse pensamento se instala.
E sei porque, como psicóloga com mais de quatorze anos de profissão, já senti esse medo muito antes de você e tenho refletido muito sobre esse tema.
O que ninguém te conta é que essa sensação nasce menos da realidade e mais da falta de clareza sobre o papel da psicologia no mundo.
E hoje o que eu quero te entregar é exatamente essa clareza — com profundidade, com honestidade e com a leveza que só quem já viu muitos ciclos da saúde mental se repetir consegue compartilhar.
Sua missão? Mostrar de forma autêntica e consistente o valor da psicologia clínica/regulamentada, com ética e evidência.
Mas antes de irmos ao ponto crucial, precisamos falar de uma informação que a maioria das psicólogas recém-formadas sequer conhece: a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO).
A Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) e por que psicólogas e psicanalistas não disputam o mesmo território
A Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), documento oficial do Ministério do Trabalho, define quem pode exercer qual ocupação no Brasil. É ela que organiza e legitima as profissões.
E aqui está o ponto que quase ninguém vê:
- Psicóloga / Psicólogo – CBO 2515-10
- Psicanalista – CBO 2515-50
A psicologia é profissão regulamentada, com formação de base, legislação, fiscalizações, código de ética, conselhos e atuação garantida como área da saúde.
A psicologia tem esse “pé” em muitos lugares: saúde mental, neuropsicologia, empresarial, educação, consultoria, tecnologia, prevenção — o que aumenta suas oportunidades de atuação e diferenciação frente à psicanálise, que muitas vezes está confinada à clínica mais tradicional.
Esse diferencial pode virar estratégia: além de clínica tradicional, pense em módulos de prevenção online, workshops para empresas, condução de grupos, consultorias para escolas ou ONGs — isso amplia seu escopo e renda, reduz insegurança.
A psicanálise é ocupação não regulamentada, baseada na tradição e na autorregulação das próprias escolas.
Não exige graduação, nem CRP, nem estágio supervisionado formal.

Por isso, quando você vê psicanalistas crescendo, é natural imaginar que eles estão “ocupando seu espaço”. Mas, juridicamente e estruturalmente, vocês atuam em lugares diferentes.
A psicologia é profissão. A psicanálise é prática. E isso muda absolutamente tudo.
E quando você entende isso, tudo se reorganiza internamente.
Você percebe que:
- não estão tirando o seu lugar;
- não estão ocupando o que é seu;
- não estão invadindo o seu território.
Vocês sequer jogam no mesmo tabuleiro.
O que você faz, ninguém com outra ocupação pode fazer e isso, minha querida colega de profissão, muda tudo.
O crescimento da psicanálise e o que os números realmente significam
Estamos vivendo o maior aumento da história na procura por atendimento psicológico e a OMS já apontou que a busca por cuidado emocional cresceu mais de 25% após 2020.
Quando o sofrimento aumenta, todas as formas de cuidado aparecem com mais força. Mas não se engane: isso não diminui o espaço da psicologia. Pelo contrário — mostra o quanto o cuidado mental virou prioridade mundial.
Quando o mundo passa por crises emocionais — individuais ou coletivas — várias práticas terapêuticas emergem.
É natural. É histórico. E vai continuar assim.
Em países como Austrália, Estados Unidos e Reino Unido, a explosão de abordagens alternativas não reduziu o campo da psicologia.
Ao contrário: psicólogos se tornaram ainda mais procurados, especialmente os que têm:
- regulamentação,
- formação sólida,
- capacidade diagnóstica,
- legalidade profissional,
- atuação multiprofissional.
O mundo não está cheio demais de psicólogos.
O mundo está cheio demais de sofrimento.
E quando o sofrimento aumenta, quem é chamado?Quem tem ciência, ética, legalidade e técnica.
Agora, antes de seguirmos, deixo aqui um ponto crucial — que fortalece ainda mais essa visão.
Quando até a psicanálise reconhece seus limites — e por que isso fortalece ainda mais a psicologia
Antes de seguir, vale abrir um parêntese importante. Recentemente, em um vídeo amplamente discutido, o psicanalista Christian Dunker refletiu sobre a regulamentação da psicanálise. Assista abaixo:
No vídeo, Dunker explica que a psicanálise, desde Freud, prefere autorregulação pelas próprias escolas, e não a regulamentação estatal.
Ele cita que Freud defendia a prática por “leigos”, e por isso a tradição psicanalítica nunca foi construída sobre as bases da saúde regulamentada.
Mais ainda: nos países onde se tentou regulamentar a psicanálise — como Itália e Austrália — houve:
- elitização,
- aumento do custo da formação,
- rigidez hierárquica,
- burocratização,
- perda de autonomia.
Por isso, a psicanálise não deseja ser profissão da saúde. Seu reconhecimento, segundo Dunker, deve vir do espaço público, acadêmico e cultural — não de conselhos, regras ou leis.
E isso esclarece algo essencial para você:
Psicologia e psicanálise não disputam o mesmo território.
A psicanálise sequer deseja ocupar o espaço institucional que a psicologia já ocupa.
Ou seja:
- A psicologia é profissão da saúde, regulamentada, jurídica, pública e multiprofissional.
- A psicanálise é prática cultural, autorregulada, plural e independente.
Com essa diferenciação clara, finalmente conseguimos chegar ao ponto central:
O mundo quer psicólogos — e quer agora.
Você vê psicanalistas surgindo porque eles aparecem mais, produzem conteúdo mais leve e alguns até mais popular, mais palatável.
Você vê psicanalistas surgindo porque eles aparecem mais, mas a vida real mostra outra coisa:
- escolas implorando por psicólogos;
- Unidades Básicas de Saúde precisando completar equipes;
- Centros de Atenção Psicossocial sobrecarregados;
- empresas ampliando setores de saúde mental;
- famílias buscando avaliação psicológica;
- clínicas com agendas cheias e listas de espera.
A psicologia não está perdendo espaço. Ela está crescendo silenciosamente — e com força.

1. A força da ciência em um mundo cheio de ruído
Você não está vendo falta de espaço. Está vendo excesso de ruído.
E agora que limpamos esse ruído, posso te mostrar a espinha dorsal da sua carreira.
A psicologia não é moda. É ciência. E ciência não perde relevância.
2. Seu Conselho Regional de Psicologia (CRP) importa — e muito
O CRP não é um número. É seu passaporte para atuar:
- em instituições
- em serviços públicos
- em atendimentos regulamentados
- com autoridade clínica
Ele garante validade, segurança, ética e legitimidade.
3. Só psicólogos usam testes reconhecidos pelo Sistema de Avaliação dos Testes Psicológicos (SATEPSI)
Somente psicólogos com CRP ativo podem aplicar, corrigir e interpretar testes psicológicos, tais como:
- testes de personalidade,
- testes neuropsicológicos,
- testes de inteligência,
- instrumentos de avaliação de aptidão,
- escalas de rastreio clínico validadas,
- baterias padronizadas aprovadas pelo SATEPSI (Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos).
Nenhuma outra ocupação pode usar e isso abre portas reais.
4. Seus documentos têm valor jurídico real
Apenas psicólogos com CRP ativo podem emitir documentos que possuem validade legal e institucional, como:
- atestados psicológicos,
- relatórios psicológicos,
- declarações psicológicas,
- pareceres técnicos,
- laudos psicológicos (ex.: perícias, avaliações clínicas, escolares, organizacionais).
Esses documentos têm implicações jurídicas, educacionais, de saúde e administrativas, sendo proibidos para profissionais sem formação e registro em psicologia.
5. Você atua onde a saúde pública mais precisa
Para trabalhar como psicóloga em:
- clínicas particulares,
- redes de saúde mental,
- ambulatórios,
- hospitais,
- UBS,
- CAPS,
- serviços credenciados,
- equipes multiprofissionais reguladas (NASF, ESF, atenção primária), é obrigatório possuir CRP ativo.
A atuação clínica nesses ambientes exige responsabilidade técnica, prontuário, diretrizes éticas e participação multiprofissional regulamentada — o que não é permitido a terapeutas sem registro.
6. Reembolso via Tabela Unificada da Saúde Suplementar (TUSS)
Aumenta acessibilidade e competitividade, pois os pacientes conseguem reembolso parcial.
É uma vantagem gigante e é exclusividade do psicólogo com CRP.
7. A Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) abre portas na saúde ocupacional
A NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1) — atualizada em 2022 — inclui a psicologia dentro das formações que podem compor a equipe multidisciplinar de Saúde e Segurança no Trabalho, especialmente em:
- análise de fatores psicossociais,
- programas de prevenção,
- ações de promoção de saúde mental,
- elaboração de documentos que integram o PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos),
- treinamentos obrigatórios previstos pela SST.
Ou seja: somente psicólogos habilitados legalmente podem realizar avaliações e intervenções que envolvem riscos psicossociais, comportamento humano no trabalho e saúde mental ocupacional.
Nenhuma prática clínica sem CRP tem autorização legal para atuar nesses contextos regulatórios.
8. Psicologia jurídica: um campo fechado para não habilitados
Áreas como:
- psicologia jurídica (incluindo escuta especializada),
- psicologia forense,
- perícias para processos judiciais,
- avaliações de guarda, adoção e violência,
- psicologia do trânsito (ex.: avaliação para CNH),
- avaliações para porte de arma, concursos e laudos específicos são exclusivas de psicólogos registrados.
Nenhum psicanalista, terapeuta ou profissional não regulamentado pode legalmente realizar essas funções.
9. Responsabilidade técnica
Somente quem possui CRP ativo pode:
- abrir uma clínica com responsabilidade técnica,
- assinar protocolos psicológicos,
- supervisionar estagiários de psicologia,
- responder eticamente por serviços psicológicos,
- integrar conselhos, comissões e órgãos oficiais de psicologia.
Esse é um diferencial robusto, pois habilita a psicóloga a liderar serviços, validar processos e atuar como figura de autoridade institucional.
10. Supervisão e formação
Você pode formar outras psicólogas — e isso é legado.
Se tudo isso é verdade, por que você ainda se sente insegura?
Porque você está no começo. E começo sempre é instável.
Insegurança não significa incapacidade. Significa construção.
Você não está atrasada. Está se desenvolvendo.
Porque você está no início.
E o início é desconfortável, silencioso, caótico, às vezes solitário.
Eu já estive aí e posso te garantir: ninguém nasce segura.
Segurança se constrói na caminhada, não na teoria.
O que te falta não é habilidade.
É vivência.
É tempo.
É chão.
E isso se constrói assim:
Caminhos reais para fortalecer sua identidade profissional
1. Escolha um nicho, mesmo que provisório
Direção gera segurança.
2. Supervisão: onde nasce a identidade clínica
É ali que a segurança ganha corpo. Supervisão é espelho, não cobrança, é onde sua identidade profissional floresce.
3. Mostre-se com verdade, não perfeição
Humanidade conecta mais do que técnica.
4. Use seus diferenciais legais
Eles existem para te diferenciar.
5. Autocompaixão profissional
Carreira não é corrida; é construção.
Você está construindo e construção tem barulho, poeira, ajustes, pausas, erros… e crescimento.
Conclusão: você não está perdendo espaço, está chegando no seu
A psicanálise pode estar em alta, mas a psicologia nunca foi tão necessária.
E você, com seu compromisso, formação, CRP ativo e ética, é exatamente o que o mundo precisa agora.
Você não está sendo substituída.
Não está ficando para trás.
Não entrou tarde demais.
Você está entrando bem a tempo de se tornar a profissional que sempre quis ser.
E se, no meio de tudo isso, você ainda sentir medo, insegurança ou aquela sensação de estar caminhando sozinha, quero te lembrar de algo essencial: ninguém constrói uma carreira sólida apenas com coragem — a gente constrói com suporte, com ferramentas certas e com espaços que nos ajudam a florescer.
Foi por isso que eu criei o Organize-se Psi: para que você não precise enfrentar essa jornada no improviso, nem carregar tudo nas costas.
Lá dentro, você encontra um ambiente pensado especialmente para psicólogos: organização clínica, gestão financeira descomplicada, marketing ético e apoio real na sua rotina profissional.
Se o mundo está pedindo mais psicólogos, então você merece um espaço que te ajude a se sentir preparada para ocupar o seu. Por isso, deixamos 4 dicas para você se fortalecer profissionalmente:
3 dicas práticas para trabalhar sua insegurança profissional e fortalecer sua presença
Vamos à prática — porque teoria é importante, mas o que transforma é ação.
Dica 1: Reflita sobre seu “porquê” e monte sua proposta de valor
Pergunte-se: por que eu fiz psicologia? Qual história pessoal, qual valor maior me move? Depois: o que eu quero que meus clientes digam de mim?
Com essa clareza, escreva em uma frase: “Sou psicóloga que ajuda … (ex: mulheres recém-formadas a lidar com ansiedade de transição profissional) … usando … (ex: abordagem cognitivo-comportamental + neuropsicologia) … para que … (ex: retomem o controle da vida profissional e pessoal)”.
Esse tipo de “nicho + abordagem + resultado” funcionará como eixo para seu posicionamento. Com isso, quando aparecer a inquietação “e a psicanálise?”, você já responderá para si mesma: “Sim, e eu ofereço isso aqui que é diferente”.
Dica 3: Atualize-se e comunique seu valor técnico
Invista em cursos complementares, supervisão, leitura atualizada. Mesmo se você ainda estiver no início, mostre-se em evolução.
Comunique no seu site ou redes: “Formação em …, supervisão ativa, especialização em …, utilização de instrumentos …” — isso gera confiança.
Exemplo: “Atendo com instrumentos de avaliação neuropsicológica para …”, “Uso registro e monitoramento de progresso” etc.
Quando o cliente vir que você tem uma estrutura técnica clara, a escolha se torna mais simples para eles.
Dica 3: Construa presença online com clareza e coerência
Hoje, muitos clientes buscam no Google, Instagram, LinkedIn antes de agendar. Esteja ativa com conteúdo que comunique sua proposta, sua identidade visual (com sua cor #ff8534 do Organize-se Psi, por exemplo), e fale de forma humana — como você gosta — sobre o que faz e para quem faz.
Algumas ideias:
- Posts curtos explicando “Por que escolher psicologia para ansiedade em vez de só coach?”
- Vídeos de 1 min respondendo dúvidas comuns (ex: “Psicólogo ou psicanalista — qual a diferença?”)
- Depoimentos ou minicases (com ética garantida) sobre resultados que você ajudou a gerar.
Constância + clareza = autoridade natural.
Dica 4: Encontre uma rede de apoio, supervisão e documentação de processo
Por último, insegurança também nasce da sensação de “estou sozinha”, “não sei se estou fazendo certo”. Resolva isso com rede:
- Tenha supervisor ou grupo de supervisão ativa.
- Documente seus atendimentos (como for permitido). Avalie seus resultados: crie métricas simples (“de X-10 antes das sessões para Y-10 depois de 6 sessões”) e valide para si mesma que está gerando progresso.
- Participe de grupos de psicólogas recém formadas: troque experiências, sucessos e dores. Saber que você não é a única a passar por isso ajuda.
- Periodicamente, pegue tempo para autoreflexão: “Quais atendimentos me geraram maior satisfação? Quais me deixaram mais insegura? O que posso melhorar?”
Para você que está começando: lembre-se disso: o campo da saúde mental está em expansão.
As pessoas buscam cada vez mais apoio psicológico, e práticas diversas entrarão — mas isso não diminui seu valor; pode até valorizá-lo, porque mostra que “precisos de mais que autoajuda, preciso de profissional qualificado”.
Você, como psicóloga recém-formada, tem diferenciais — base técnica, versatilidade, credibilidade, foco no resultado e integração com o vivo das demandas modernas.
Ao se posicionar com clareza, construir presença, adotar postura de desenvolvedora contínua e cuidar da própria insegurança com práticas e rede, você estará muito mais preparada — e segura — para trilhar seu caminho.
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